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Nunca me imaginei abrir um festival de cinema através de uma performance. A Sala Redenção da UFRGS oferece ótima atmosfera no mítico campus central em Porto Alegre.
Com a moral de um boxeador imprimi um filme sobre um filme sobre um filme sobre um filme – derivar no livre olhar resulta também na influência de Herzog com Copyleft e troca de idéias com Bia Werther.
Enquanto a sala captava as Antenas transmitindo o caos de osciladores elegantes, textos de poesia paralela do trabalho de múltipla métrica da Ariela Boaventura e grupo doT ressoavam como um mantra agnóstico.
Confesso surpreso o efeito do conjunto, as animações síncronas do Flõ manipuladas em tempo real com ajuda do Pure Data. Numa janela circular a 30% do tamanho de outra formava-se um redemoinho de olhos enquanto projeções de filmes teuto-russos totalitários evocavam um certo lirismo sádico.
Os espectadores puderam monitorar toda a geração da performance, o core foi exposto, controles, parâmetros e chaves estavam sendo vistos no mesmo plano das imagens. A geração, assim, também é a própria performance.
Para cada obra e performance um software é criado: único como o momento, chegando ao ápice quando um código foi criado no próprio palco, utilizando-se um oscilador e outros objetos para alterar ciclicamente a relação dos vídeos.
Ao final, a maior parte do material foi disponibilizada na internet para estudo, uso e diálogo, tudo sob as licenças GPL e Creative Commons segundo o contexto.
Down to earth
Assustados com a quantidade e natureza dos equipamentos, 3 táxis recusaram a corrida e acabei sendo o último a chegar na Sala Redenção. Nunca tinha atuado com o Antena, nem havia tempo para montar o sistema, um ambiente planejado durante 15 dias para a performance. Do canto do palco, reestruturei rapidamente as conexões entre objetos do PD e manipuladores cinematográficos, pois precisava de filmes mais leves, já que agora tudo deveria rodar somente em dois processadores e não em três como previamente previsto. A manipulação em tempo real de 4 vídeos mais áudio gerado por uma dezena de osciladores ainda pós-processados, somado ao cálculo sempre em tempo real do algoritmo de visão computacional, demanda enorme quantidade de operações matemáticas.
Isso teve que ser feito em 15 minutos, no escuro e enrolado em um ninho de cabos.
Fundamento
O modo como somos percebidos define a presença humana, porém é equivoca a revisão iconocasta.
O conceito: estruturação através de interface lúdica. Uma leitura no contexto do Flõ, um olhar sobre a constituição de ambientes de sensação; diferentemente de VJ(ing), há intenção de narrativa.
Eis o paradoxo, o storyboard caótico, em que múltiplos momentos e culturas constroem uma história que só fez sentido naquela sala do Flõ!
A valorização do código como ator determinante da contemporaneidade e estruturador do discurso define e fundamenta o software criado para o Flõ! O código deixa de ser uma pragmática ferramenta determinista para ponderar a atribuição dos espaços – todos. Uma breve visita a Boole, Cerf e Stroustrup esclarece.
Por fim, é imperativo questionar a marginalidade do código enquanto vivenciarmos apáticos a irreversível falência de um impessoal e restrito sistema de participação imposto pelas estruturas governamentais.
Código: definição/submição/lingua command:_ . . . . . .
Making of
Dois vídeos feitos para a apresentação foram filmados em padaria, bar e parque de Porto Alegre, todos em fim de tarde, alterados quimicamente por doses de Heineken. Outros, do LOCa, centro um grupo que participa das curadorias Flõ.
O video de textos foi extraído de um experimento de manipulação de legendas e stop-motion usando ImageMagick para montagem e transições que depois foi aplicado usando alpha chanel em preto – RGB (0,0,0).
Por fim, outros vídeos se misturam a esses dois filmes alemães sobre práticas totalitárias russas e assuntos radioativos. Todos formatados em QuickTime, que tem provado ser mais sólido em ambiente multiplataforma numa resolução de 320x240 em 24 e 15 quadros por segundo.
Absolutamente tudo foi montado e editado através de interface de linha de comando para os softwares ffmpeg, ImageMagick e mplayer, por vezes através de shell scripts do UNIX em plataforma debian/INTEL Dual Core 2Gb RAM e MSYS/MingW AMD 512Mb RAM.
Para a interação na sala, os videos foram exibidos num ambiente OpenGL sendo os parâmetros tamanho, posição, canal alpha e frame rate manipulados em tempo real, tudo assíncrono.
O sistema de visão computacional é acessado pelo Pure Data, que concentra a interface lúdica através da biblioteca reacTIVision desenvolvida por Martin Kaltenbrunner. O que sobrou dos patches pode ser encontrado aqui! O uso e modificação para quaisquer propósitos é totalmente livre e incentivado, não usar com parcimonia. Agradeço notas e comentários sobre o uso, erros e dúvidas e até convites. Passem a palavra!
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